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terça-feira, 10 de maio de 2011

Muito Bruto


Ela e ele deitados na cama. Abraçadinhos como ela gostava. Ele sentia um calorão danado, mas não se importava com o desconforto. Haviam acabado de fazer sexo, e fora muito bom, pelo menos pra ele. Ela perguntou:
-Aí, amor... Não é o máximo, isso?
-É... Eu ainda acho que posso fazer melhor se praticarmos mais um pouco. - Ele respondeu mordendo de leve o ombro dela.
-Não, bobo. Bom, isso, também. Mas eu me refiro à gente. Nós dois juntos. Tu e eu, vivendo sob o mesmo teto, fazendo as mesmas cosas, jantando nos nossos lugares preferidos, vendo nossos filmes preferidos, ouvindo nossas músicas preferidas, tudo juntinhos.
-É.. É bom demais, mesmo.
-Eu nunca achei que a gente fosse ficar juntos, sabe?
-Não?
-Não... Tinha tanto obstáculo no caminho...
-Tipo o quê?
-Ah, coisas, né?
-Que coisas?
-Ah... A distância, tanto a física quanto a emocional. O modo como tu te fechava, tu não falar como te sente... A minha mãe que dizia que tu não era boa coisa...
-Tua mãe ainda diz que eu não sou boa coisa. Ela vem aqui todo final de semana e diz isso enquanto eu tô te ajudando com as tarefas domésticas.
-Ah, tadinha da mãe. Ela não tem o que fazer. Mas eu sei lá. Achava que não ia rolar. Que tu não gostava de mim.
-Hmmm... Bom, mas e tu?
-Eu?
-E, tu que é uma princesinha cheia de frique-frique. Eu nunca imaginei que tu ia te interessar por mim.
-Ah, mas tu... Por que eu não me interessaria?
-Por que eu sou meio rudezão, assim. Algo tosco, tu parece gostar de caras mais sofisticados, mais alinhadinhos, eu sou mega à vontade.
-Ah, nada a ver. Eu nunca te achei tosco.
-Tu vai me dizer que nada em mim te desagradava?
-Não. Nada em ti me incomodava.
-Nada?
-Nada.
-Nadinha?
-Nadica de nada.
-Hmmm. Então por que tu tá sempre tentando mudar tudo que eu faço?
-Não é mandando mudar, é só corrigindo. Te ajudando a dar uma aparada nas arestas, amor.
-Então nada te incomodava?
-Nada, nadinha, nem... Ah, não...
-O quê?
-Tinha uma coisa, sim.
-O que era?
-Na verdade... Bom, não vou dizer que não incomodava por que incomodava, sim, era bem ruim, mas era, sei lá, quase folclórico, era engraçado.
-O que era?
-O desodorante que tu usava. O que era? Algum Axe bem sem-vergonha?
-Não...
-Por que agora, OK, tu usa Rexona, não é espetacular, mas é decente. Mas aquele de antes... Nossa, parecia perfume vagabundo misturado com budum de pedreiro. O que era aquilo?
-Trés Brut de Marchand.
Ela teve um acesso de riso violento. Riu muito. Usou adjetivos que ele fez questão de esquecer pra se referir ao seu antigo desodorante. No dia seguinte,quando ela chegou em casa, foi colocar absorventes no armário do banheiro e deparou-se com três tubos de Trés Brut de Marchand. Nem era o frasco aerossol, era aquele bem fuleiro de spray em plástico. Quando se virou ele a fitava da porta, desafiador. Ela não disse nada, só fez uma careta.
Ele se decidira. Um sujeito que usava um desodorante chamado "muito bruto", não iria ser dominado pela mulher.

Um comentário:

  1. Mas ah, é só substituir o desodorante por maçã verde! Problema resolvido !!!

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